Positividade do teste rápido anti-PGL-I em situações clínicas de difícil manejo na hanseníase: evidências de um centro de referência brasileiro
Introdução:
a hanseníase permanece um relevante problema de saúde pública no Brasil, com situações clínicas complexas que frequentemente desafiam o manejo diagnóstico e terapêutico convencionais.
Objetivo:
avaliar a positividade do teste rápido anti-glicolipídeo fenólico I em pacientes atendidos em serviço de referência enquadrados em quatro situações de difícil manejo: suspeita ou diagnóstico de recidiva, falência terapêutica, reação hansênica de difícil controle e diagnóstico difícil de hanseníase. Métodos: estudo transversal realizado com 23 pacientes adultos, predominantemente multibacilares, atendidos em serviço de referência.
Resultados:
o teste rápido foi reagente em 15 casos (65,2%). Nos pacientes com suspeita ou diagnóstico de recidiva, o teste foi positivo em seis dos nove casos, auxiliando na reavaliação diagnóstica inclusive em um caso com exames convencionais negativos. Nos casos de reação hansênica de difícil controle, três dos cinco pacientes apresentaram resultado reagente, o que contribuiu para confirmar atividade bacilar subjacente. Nos casos de diagnóstico difícil, o teste foi positivo em quatro dos sete pacientes, o que motivou a repetição da biópsia, com confirmação diagnóstica em dois casos e embasou o início do tratamento em outros dois. Em ambos os casos de suspeita de falência terapêutica, os testes foram reagentes, o que corrobora a manutenção da atividade sorológica. Discussão: os achados demonstram que o teste rápido pode atuar como ferramenta complementar relevante, especialmente em cenários em que os exames convencionais são inconclusivos ou insuficientes para orientar a conduta clínica.
Conclusão:
o teste rápido anti-glicolipídeo fenólico I mostrou-se útil no manejo de situações complexas da hanseníase e precisa ser interpretado de forma integrada à avaliação clínica e aos exames convencionais disponíveis.
Introduction
leprosy remains a significant public health problem in Brazil, with complex clinical situations that frequently challenge conventional diagnostic and therapeutic management.
Objective
to evaluate the positivity of the rapid anti-phenolic glycolipid I test in patients attended at a reference service classified into four difficult-to-manage situations: suspected or confirmed relapse, therapeutic failure, difficult-to-control lepra reaction, and difficult leprosy diagnosis.
Methods
cross-sectional study conducted with 23 adult patients, predominantly multibacillary, attended at a reference service.
Results
the rapid test was reactive in 15 cases (65.2%). Among patients with suspected or confirmed relapse, the test was positive in six of nine cases, assisting in diagnostic reassessment, including one case with negative conventional tests. In cases of difficult-to-control lepra reaction, three of five patients had a reactive result, helping to confirm underlying bacillary activity. In difficult diagnostic cases, the test was positive in four of seven patients, prompting repeat biopsy with diagnostic confirmation in two cases and supporting the treatment initiation in two others. In both cases of suspected therapeutic failure, the test was reactive, corroborating the maintenance of serological activity.
Discussion
the findings demonstrate that the rapid test can serve as a relevant complementary tool, especially in scenarios where conventional examinations are inconclusive or insufficient to guide clinical management.
Conclusion
the rapid anti-phenolic glycolipid I test proved useful in the management of complex leprosy situations and should be interpreted in an integrated manner alongside clinical evaluation and available conventional examinations.